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Black Mirror, a série que vai desgraçar sua cabeça

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Até o dia de hoje, 04 de outubro, são apenas 7 episódios. E quase todos eles tiraram um pouquinho da minha paz. Não consigo nem achar outra palavra, e é a mesma palavra que estou ouvindo de outras pessoas: é uma série que provoca um inevitável desgraçamento das ideias. E, ainda assim, é um desgraçamento necessário.

Sobre o que é: algo que desgraça tanto assim a cabeça não poderia ser fácil de explicar. Black Mirror é uma série com episodios independentes, cada uma tem sua história, mas tem algo em comum em todas elas, que é aquela sensação de que estamos perto demais daquela realidade – quase sempre relacionada às novas tecnologias, ou à mudança de comportamentos e da maneira com que consumimos coisas e informações, e como estamos nos relacionando com o mundo e com as pessoas a nosso redor.

Onde ver: é uma série do nosso amigo Netflix, então está tudo lá. São duas temporadas de 3 episódios cada uma, e já está disponível o primeiro episódio da terceira. No dia 21 de outubro sai o restante da 3 temporada.

FINAL DA PARTE LIBERADA DO TEXTO, SPOILERS A SEGUIR.

Episódios – o que eu achei de cada um:

S01E01 – The National Anthem

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Mistura de nojo com um sentimento familiar, que ao mesmo tempo que é absurdo eu não estranharia. Esse foi o episódio que me pareceu menos distante da nossa realidade. Poderia acontecer amanhã. Não achei o episódio mais poderoso, mas cumpre sua missão. E, caso não tenha ficado claro: nojo.

S01E02 – Fifteen Million Merits

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Olha. Esse episódio. Vou confessar que não foi amor à primeira vista. Eu não estava entendendo, achei tudo muito louco e abstrato – mas depois que terminou conversei com umas pessoas, li umas coisas e a ficha caiu. É um sentimento comum com os episódios de Black Mirror, quando você diz pra você mesmo: PUTA MERDA. Fala de tanta coisa atual e, apesar de ser o episódio mais futurista da série, é fácil terminar pensando que estamos indo nessa direção.  

S01E03 –The Entire History of You

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Um dos meus preferidos. Mostra algo que hoje não existe, mas que poderia existir e muita gente pagaria muito dinheiro pra ter. Até o ponto em que terminaria sendo acessível, e todo mundo tem um (história familiar): um grãozinho implantado que registra tudo o que acontece na sua vida. Como se sua vida fosse uma série, e você pudesse rever temporada e episódios quando quiser – e com quem quiser. Tudo NORMAL. Tão normal que os estranhos são quem não usam. Por um lado parece que eles têm total controle sobre suas vidas – mas na verdade é o contrário. Tudo o que tá registrado ali termina conduzindo os fatos e eles terminam sendo prisioneiros do que fizeram ou deixaram de fazer – seja nas relações com as pessoas ou numa entrevista de emprego. QUE PESADELO.

S02E01 – Be Right Back

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Esse foi o primeiro que vi. Já comecei assim, explodindo meu cérebro na TV. Adeus natureza, adeus ordem natural das coisas. Olá sentimento de “podia ser eu”. Sério, QUEM NUNCA? Imagina só o sentimento de desespero depois de uma tragédia salvo por uma alternativa assustadora mas tão real que termina sendo irresistível? De dar calafrios. E o morto falando no telefone VENDENDO O UPGRADE DA TECNOLOGIA, me matou.

S02E02 – White Bear

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APENAS O MELHOR EPISÓDIO. Nem com aviso de spoiler vou falar sobre o que acontece aqui, porque se você é louco e tá lendo sem ter visto porque “não liga pra spoilers”, não merece ter esse episódio estragado por mim. É um tapa na cara nos últimos minutos e pronto: desgraçamento de cabeça ativado. Antes mesmo do PLOT TWIST DUPLO CARPADO já é possível achar tudo muito insano, mas a mágica ainda vai chegar. E tem tantas relações ali com a realidad que a gente vive hoje que nem sei por onde começar. Se depois desse você insistiu na maratona e não precisou desligar a tv pra espairecer as ideias e curar a voadora recebida no cérebro, meus parabéns.

S02E03 – The Waldo Moment

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Não gostei. Simples assim. Dormi, insisti, não rolou. Eu até pularia. Beijos.

S03E01 – White Christmas

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JOHN HAMM, WELCOME BACK EM GRANDE ESTILO. Nesse também não dá pra dar nada de spoiler, mas está no meu top 3 junto com White Bear e The Entire History of You. Terminei pensando OK, AGORA TENHO SÉRIAS DÚVIDAS SE MINHA VIDA É REAL. Socorro.

 

Ou seja. Se não assistiu, assista. Agora. Sério, agora.

Se já assistiu, vem cá, me dá um abraço e afoga as mágoas pós-desgraçamento aqui nos comentários.

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Mais fones de ouvido, menos babacas.

cc0410b6bd3536c733d2dbe891703c24Tenho um problema sério: fui criada pra me preocupar com os outros. Pra me perguntar sempre se não tô incomodando. Pra não ser folgada e não me servir toda a comida, porque tem mais gente pra comer. E pra entender que num ambiente com 50 pessoas, se uma se incomoda com algo que eu fiz, preciso repensar essa atitude.

É um problema quando eu passo a pensar primeiro nos outros e depois em mim. Mas é um problema ainda maior quando eu preciso conviver com babacas. Gente que não tá nem aí, que simplesmente não se importa com o espaço alheio e come a comida toda, e não liga se alguma das 50 pessoas a sua volta está incomodada.

Tive, durante os últimos tempos, o desprazer de conviver com babacas. Se você não tem certeza de quem são os babacas, preciso te dizer que eles não vem necessariamente com plaquinha de identificação. Babacas podem parecer legais pra caramba. Te recebem com um sorriso, são os legalzões da galera. E sabe onde tá cheio de babaca? Nos ambientes de trabalho. E um agravante: quando os babacas são os legalzões, muito pouca gente acaba percebendo a babaquice. E, se você percebe, provavelmente não terá muita sorte.

Vamos a um exemplo prático: primeiro dia de trabalho. Rola aquela tensão social (em partes normal, em outras uma tensão social extrema fruto da sua personalidade introspectiva), aquela expectativa pra agradar o pessoal e passar logo esse período de adaptação estranho. E aí, uma surpresa boa: a pessoa que senta do seu lado é legal pra caramba. Te ajuda, te diz onde fica a cozinha, o café, o chá. Te explica como funcionam algumas coisas na empresa. E ele tem bom gosto musical: coloca música ambiente e a música é ótima.

Como isso pode ser ruim? Eu explico: um dia você tá com dor de cabeça. Noutro dia você precisa MESMO se concentrar. E no outro, você quer um pouco de silêncio. Na maioria das vezes você tá com seu próprio fone de ouvido – mas rola de ter que subir o volume no máximo pra não misturar com a música ambiente. E se você achar que cansou de ouvir música… Não vai poder parar de ouvir. Porque a música ambiente está ali. E um dia você pede pra baixarem o volume (provavelmente nos dias de dor de cabeça). E vai ouvir um “ah, relaxa um pouco, vai”. E no outro, quando sua paciência já estiver se esgotando, você vai dizer “ai, sabe que não tô com vontade de ouvir música agora?”, e vai ouvir desse cara gente-boa-pra-caramba “pô, você tem que entender que não tá sozinha no escritório”. De repente, ele virou um cara nervoso-pra-caramba. Pronto. Nasceu um babaca.

E aí os babacas começam a brotar: um dia você tá num call super importante e os babacas começam a falar super alto, temas super aleatórios ou bizarros: de fofoca a “parabéns pra você” pra alguém, com palmas e tudo. E aí você pede silêncio. E aí você é um chato. Pronto. Nasceu a torta de climão que ninguém quer comer e dura pra sempre na geladeira da firma.

Seria super legal né? Se o ambiente de trabalho fosse assim relaxadão. Que todo mundo fosse brother. Que a gente ouvisse música o dia todo e parasse pra conversar por meia hora, e que cantasse mesmo parabéns pra aquele colega que entrou, bem alto e batendo palmas, porque ele merece. Mas sabe o que? Nem todo mundo pode estar relaxadão o tempo todo. Tem gente que tá cheio mesmo de coisas pra fazer, e tá super comprometido com algum projeto e precisa muito se concentrar porque quer ir embora às 18h, do mesmo jeito que você vai. Você talvez tenha sorte, tenha menos trabalho, ou seja menos ansioso, ou tenha uma relação diferente com seu próprio trabalho. Mas é você, né? Tem gente que tá numa ligação super importante, amigo. Em outro idioma, com um chefe e mais 10 pessoas, cada uma de um país diferentes e misturando trocentos sotaques em inglês. E aí a pessoa não sabe se tampa o ouvido pra poder ouvir o que estão dizendo, ou se tampa o microfone pro pessoal no telefone não ouvir a gargalhada dos que estão contando uma piada. Entendo sua filosofia de levar o trabalho numa boa, de ser relaxado e deixar o ambiente mais leve. Só que não pode ser só pra você, né? Se estiver atrapalhando alguém, já não é tão legal assim. Uma pessoa incomodada. É só isso o que precisa. E se você achar essa pessoa chata só por isso, tenho uma notícia: há grandes chances de você ser um babaca.

 

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Sobre memórias e uma irmã improvável

bring backbring backbring back my bonnie to meto me (1)Um dos melhores momentos da última semana pra mim foi um áudio no whatsapp. Minha irmã cantando uma musiquinha infantil em inglês. E, bem, ela tem mais de 30 aninhos.

Sequência de fatos: ontem eu pensei na minha irmã no meio da rua – mas tava sem bateria pra escrever pra ela na hora. Aí chego em casa, boto o celular pra carregar e, puf: ela me escreve. Essas coisas de sintonia, que pra gente é diferente: somos irmãs por parte de pai e praticamente nunca moramos na mesma casa (apenas por alguns meses). As pessoas olham pra gente e o último que imaginam é que somos irmãs. Mas nós somos. E por causa da vida, e das circunstâncias, construímos essa sintonia – diferente, mas igualmente forte.

E nossas memórias de irmãs também existem. Como essa música infantil toda em inglês, que sabemos a letra inteira e nem sabemos como aprendemos tudo em inglês sendo tão pequenas. Pra gente, uma rodinha de violão é bem mais que um luau de adolescentes. Nela tem uma pasta preta de música cheia de Caetano, Milton Nascimento, Almir Sater e Roupa Nova. Pra gente, os nostálgicos biscoitinhos da piraquê não podem ser comido em outra situação a não ser em uma viagem de ônibus. E, aliás, canja é a comida mais adequada pra quando se chega ao destino final. Somos PHD na arte de limpar camarão. E, não sei se ela se lembra, mas a gente também tem a nossa música. E é essa aqui:

E esse é o nosso comercial de TV:

Esse, é o quintal onde a gente brincava nos finais de ano. E os nossos queridos avós de quem sentimos e sentiremos tanta falta. Cantamos o abecedário da xuxa inteiro correndo nesse quintal em círculos, e está tudo registrado num VHS.

 

E essas somos nós.

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Esses dias ela fez aniversário, e esse é meu jeito de dizer que, mesmo longe, estarei sempre enviando pensamentos positivos através desse nosso elo de sintonia que, contrariando muitas expectativas, se formou. 🙂

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12 Curiosidades sobre a cultura diária argentina (por quem está imersa nela)

Tem coisa que só anos de Argentina te ensinam. Além disso, sou uma brasileira na Argentina que tem uma diferença em relação a outros brasileiros que também estão por aqui: estou inserida numa típica família argentina. Tenho amigos que vivem ou viveram aqui por muitos anos, mas quando comento algumas dessas coisas eles não conhecem. Están listos?

1. Bebidas diferentes

bebidasO Fernet é a clássica bebida argentina que, se você for numa festa de argentinos, com certeza vai provar. Mas tem outras bebidas típicas daqui que são pouco conhecidas pra gente: Gancia e Cinzano são duas bebidas alcólicas chamadas de “aperitivos”, que são servidas com soda antes de comer como um drink pra abrir o apetite (há quem diga que estão ultrapassadas). O Terma é uma bebida sem álcool, bem concentrada e servida com água – tem um gostinho de ervas, é como uma água saborizada bem natural e suave.

2. Banheiro sem chave

Minha mãe foi quem reparou nisso, e é verdade que em muitas casas o banheiro não tem chave. Perigo!

3. Aplausos
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Já comentei aqui que os argentinos aplaudem no cinema e no avião depois do pouso. Mas é costume também aplaudir o churrasqueiro – se diz “un aplauso pa’l asador!”, para dizer que o asado ta gostoso.

4. Suerte

Eles ADORAM falar isso. No Brasil o “boa sorte” é usado quando a gente quer realmente desejar sorte pra alguém em alguma situação especifica. Mas aqui, o sorte é como uma saudação de despedida.

-Bueno, nos vemos.
-Chau, suerte!

E no lugar de desejar o que seria “buena suerte”, às vezes eles falam “éxitos”! O que eu acho muito mais legal. Porque ter êxito em alguma coisa é muito melhor que ter sorte, né?

5. Bom apetite

Eu não lembro se no Brasil é tão comum as pessoas falarem bom apetite. Falam, mas não todos os dias do ano da sua vida inteira. Aqui a pessoa não pode te ver com um prato na mao – eles vão falar “buen provecho!” – seja onde for.

6. Termos polêmicos. Gorda, eu?

Essa é complicada. Eles tem uns apelidos carinhosos que pra gente são estranhos: gordo e gorda. É SUPER comum os casais se chamarem assim. Além disso, se você chamar uma pessoa de flaca / flaco, geralmente é com um pouco de desdém. E, POLÊMICA MAIOR DO MUNDO: Negro e Negra. Acontece de também usar o termo pra falar com amigos e conhecidos de maneira carinhosa, MAS infelizmente eles usam isso muitas vezes de maneira pejorativa – mas juram que não tem nada a ver com a cor. Normalmente é usado acompanhando por cabeça “sos um negro cabeza”, que significa que é uma pessoa ignorante e cafona, mais ou menos. Se aplica pra quando alguém faz merda achando graça, ou quando alguém tá endividado e mesmo assim compra o carro do ano… tem um significado bem abrangente, e não sei bem qual seria o equivalente em português. O que me contaram é que a expressão vem da época de uma forte migração interna nos anos 30 protagonizada pelos “cabecitas negras”, trabalhadores rurais que vieram pra capital e ganharam esse apelido nada carinhoso. Eles não eram negros (aqui não tem negros afro-descendentes, praticamente), mas sim tinham o cabelo escuro e a pele morena. Acho péssimo, continua sendo racista.

O último termo polemico: Viejo/vieja. Sabem quem eles chamam assim? OS PAIS. Seja a idade qual for. A gente ouve o tempo todo:

-Voy a la casa de mi vieja

-Hola vieja, estás em casa?

Minha mãe não aprovaria.

7. Estereótipos

Indo para 5 anos de Argentina, já me sinto profundamente influenciada pelo estereótipo argentino. E noto isso simplesmente porque me sinto bem com meu corpo. Eu piso no Brasil e me sinto estranha – porque mulher no Brasil é gostosona e tem cabelo liso / alisado. Eu sou super magrinha e tenho cabelo enrolado. Eles acham meu cabelo o máximo (talvez porque não seja comum), e o ideal de beleza aqui é mulher MAGRA. Não que isso seja legal, mas eu que sou magra naturalmente senti essa diferença na percepção que passei a ter do meu próprio corpo. Sei que a moda em geral usa essa imagem da mulher super magra, mas a mulher “das ruas” no Brasil é malhada: pernão e bundão. Cade o país onde ta tudo bem ser magra, malhada, gorda, etc.?

8. Cuidado ao pisar

Se chover, cuidado. Se os zeladores lavaram a calçada na frente dos prédios, cuidado também. Por um motivo que não consigo entender, em Buenos Aires eles usam um material PÉSSIMO pras calçadas, que quebram sempre ou ficam soltos, e um belo dia você tá andando e espirra água no seu pé e na sua roupa.

9. Anos 80 “a full”
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Eles são super “ochentosos”. SUPER. As bandas dos anos 80 são até hoje as melhores e as que todo mundo escuta. A maioria das rádios toca MUITA música dos anos 80. E até os looks do pessoal na rua é meio anos 80.

10. Rivalidades

A nossa rivalidade com os Argentinos não é exatamente recíproca. Eles nos amam, são super curiosos, adoram musica brasileira e muitos conhecem mais o Brasil que eu. Faz mais sentido dizer que eles têm rivalidade com os ingleses (por Guerra das Malvinas reasons) ou com os chilenos – que não sei o motivo, mas eles realmente não se bicam.

11. Almoço de Domingo

pizzaAcho super estranho, até hoje, almoçar pizza no domingo. Ou empanada. Aliás, em qualquer dia. Pizza na minha cabeça é uma comida noturna! Pra vocês também? Aqui é uma atração digna de almoço de domingo. Tudo bem que a massa é caseira, feita pelas mãos abençoadas desses filhos de imigrantes. Mas, convenhamos, é muito mais bonito ver uma mesa de domingo cheia de coisas: arroz, feijão, salada, carne, farofa, maionese, etc etc etc.

12. Favor evitar

Se vocês acham que falar de política no brasil é complicado, vocês tão só começando. Aqui já é assim faz tempo. Sem entrar em detalhes: simplesmente não vale a pena. Se a frase tiver os nomes “Kirchner”, “Perón” ou “Menem” no meio… esteja preparado ou nem tente.

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Leave meus cachos alone

Não escolhi um bom momento ou um bom lugar pra nascer com cachos. Na minha escola, as meninas bonitas tinham cabelo liso, eu tinha “cara de empregada doméstica”. Sim, escutei isso de um menino lindo e rico que fingia ser legal pra ganhar bala de graça. Empregada doméstica não pode ser bonita? Parece que não.

Vai fazer entrevista de trabalho? Vai numa festa? Quer impressionar? Precisa fazer escova.

E eu ainda dei sorte: sou branca e meu cacho é até bonito, não é pixaim. Pixaim não pode ser bonito? Parece que não.

Mas no Brasil, é assim. Provando vestido pra um casamento na costureira, ela diz: “e vai fazer o que com esse cabelo?” – sim, aparentemente ir num casamento com “esse” cabelo não pega bem. Se você faz um relaxamento pra “abrir os cachos”, não pode descuidar ou querer se livrar da química: “tá na hora de fazer essa raiz, né?”. Se você se inspirou vendo no instagram a foto daquela it girl cacheada com muito volume e definição, não adianta marcar sua melhor amiga dizendo que quer deixar a progressiva pra assumir os cachos – ela vai dar uma risadinha e mudar de assunto “ai amiga, não combina com você! rs”. Rs? Não tem ninguém rindo aqui.

Aí aparece uma blogueira. Aparece outra. E outras. E de repente o youtube, o instagram, o facebook estão invadidos por cachos – ondulados, crespos, platinados, ruivos, pixains, curtos, longos, volumosos e todos lindos. E muitas meninas estão fazendo o big-chop e se encontrando de verdade.

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Na ordem: @ninagabriellass, @nathaliebarros, @maahjulia, @yulibalzak, @saraholiveirab612, @lariirezende, @deboraluzoficial

Há 4 anos e meio saí do Brasil, e há 5 estou sem química no cabelo. Na Argentina quase não tem cacho. É a terra do cabelo liso, dos descendentes de italianos com seus cabelos lisos e pesado. Seria o inferno do complexo? A terra do bullying? Nada disso. É a terra onde as pessoas me param na rua pra elogiar meu cabelo. E acham maravilhoso eu aparecer numa festa com os cachos cheios, porque o diferente parece ser bem-vindo.

Há alguns meses fui ao Brasil e numa festa junina de uma paróquia me surpreendi: vi duas irmãs MARAVILHOSAS, negras, uma com um black MARAVILHOSO e outra com tranças PODEROSAS. Fiquei hipnotizada, comentei com quem estava comigo e me disseram “sim, elas são super estilosas, foram criadas assim”. Em outras palavras, elas foram empoderadas desde pequenas.

Mas sabe de uma coisa? Precisamos combinar um negocinho desde já, aproveitando que as coisas estão começando a mudar:

NOTALL WHO WANDERARE LOST (2)
Seja livre – e deixe que os outros sejam também. Se você escolheu cachos, não julgue quem não escolheu. A melhor parte disso tudo é que somos livres pra ter o cabelo que quisermos. Aceitar o cabelo que nasceu com a gente é maravilhoso – mas se você quer alisar, ou pintar de roxo, ou raspar a cabeça, tá tudo certo. Mesmo! 🙂